Crônica de uma morte anunciada
Mola propulsora – ou antes ainda, alvo a ser atingido –, a "morte anunciada" do título acaba por fazer da novela mais exercício narrativo do que simples veículo para ficção tradicional: queimada a carta final – o fato "morte", ou o "o quê" – na largada desde a capa, a dificuldade aqui seria tornar os "comos" (personagens e eventos que levam o fato a ser consumado) interessantes o suficiente para sustentarem a ilusão de pé.
À moda de García Márquez, as menos de 200 páginas do livro não dão conta da infinidade de peças que contribuem para a eventual solução do quebra-cabeças (apresentações são feitas literalmente até a última página) e das ainda mais numerosas pontas soltas que teriam levado os envolvidos até ali; mas para muito além da dificuldade de acompanhar o ritmo do autor, Crônica de uma morte anunciada é uma oportunidade única de acesso rápido à um fluxo imaginativo deslumbrante, que mina de uma fonte aparentemente inesgotável.

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