The Ghost in the Shell
Shirow Masamune faz alguns esforços – ora voluntários, como quando pede ao leitor para "apreciar a obra pura e simplesmente por diversão"; ora involuntários, como quando simplifica o traço (perdendo a coerência estilística no processo) para entregar capítulos no prazo – em convencer o leitor a não o levar tão a sério assim; e a estória compilada nesse volume pode sem dúvida ser consumida como simples aventura cyber-futurista.
Mas a infinita (e até pueril, não fosse tão alto o grau de complexidade das perguntas) curiosidade apaixonada do autor não pode ser contida, e transborda para o entorno dos quadrinhos literalmente em forma de notas – de rodapé e outras mais. Nelas são levantadas questões políticas, religiosas, metafísicas, científicas, biológicas, etc. (inclusive com recomendações de leitura, referências de editoras e preços de edições), de tal maneira imprevisíveis que passagens da narrativa passam a se revelar apenas pontas de icebergs em contraste com os raciocínios que as informaram.
Ao leitor fica disponível a opção de rota a seguir: a do entretenimento simples, aberta a base de explosões, perseguições e afins, ou a da possível provocação de novos questionamentos a cada buraco de coelho cifrado nas letras miúdas.

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