Batman: O Cavaleiro das Trevas (Edição Definitiva)
Artistas que enveredam pelo caminho da produção de sequências desnecessárias tendem a se expor a expectativas irremediavelmente inatingíveis, e Frank Miller está mais para confirmador da regra do que para excessão: a continuação (2001) d'O cavaleiro das trevas publicada nesta edição serve apenas como souvenir de uma estética MTVesca pós-psicodélica exacerbadamente juvenil que hoje se constata risivelmente datada.
Já o projeto original (1986) ainda é extraordinário – se não mais revolucionário na sua mídia, definitivamente atemporal (ou ainda mais atual hoje) no conteúdo e na narrativa.
Para muito além da curiosidade da premissa (um Batman velho voltando à ativa), O cavaleiro das trevas se abre continuamente numa espiral crescente que a cada volta arrasta mais um novo aspecto da sua ambientação para dentro de um entrópico horizonte de eventos: psicologia, sociedade, política e, principalmente, o papel da mídia na cobertura de todos esses acontecimentos. A narrativa seria absurda se, descontados os fatos de que nela estão presentes arquétipos de heróis e vilões, não fosse absolutamente plausível em qualquer sociedade urbana moderna.

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