Morangos mofados
À moda de Nabokov e outros grandes autores (especialmente quando de trata de contos), Caio F. tem facilidade em cooptar empatias por meio de uma capacidade avassaladora de imergir o leitor em seus sets cinemáticos povoados por bons "atores" e bons diálogos. Ainda mais interessante e idiossincrático que a via escolhida aqui para a incorporação da técnica, entre todos os sentidos da experiência humana, tenha sido a tátil: "Sem querer, quase estremeceu de frio. Ou uma espécie de medo. Esfregou a palma seca da mão esquerda contra a coxa. A voz dela ficou mais baixa quando perguntou: — E se eu fosse até aí? Os dedos dele tocaram o maço de cigarros no bolso da calça. Ele contraiu o ombro direito, equilibrando o fone contra o rosto, e puxou devagar o maço. — Sabe o que é — disse. — Lui? Com os dentes, ele prendeu o filtro de um dos cigarros. Mordeu-o, levemente. — Alô, Lui? Você está aí? Ele contraiu mais o ombro para acender o cigarro. O fone quase se desequil...