A cama na varanda
Apesar da aparente proposta de amplo escopo de cobertura – especialmente nesta edição “Novas Tendências” – A Cama na Varanda padece de alcance reduzido devido a duas limitações estruturais. A primeira, de menor impacto, é a redução simplória da narrativa da história da humanidade, em todas as épocas e lugares, a uma linha do tempo na qual a substituição do matriarcado pelo patriarcado informa como todos os problemas em que alguma relação social esteja envolvida deveriam ser analisados, digeridos e enfrentados. Muitas vezes corretos “por atacado”, alguns desses approaches não só estão expostos a questionamentos de primeira ordem como correm o risco de subestimar a inteligência do leitor na tentativa de criação rápida de empatia. A segunda limitação, mais séria, resulta do survival bias que é inerente à experiência empírica da autora em consultório: pessoas buscando terapia com interesses específicos na área da sexualidade fazem parte de um grupo ínfimo dentro do cenário comp...