Tia Júlia e o escrevinhador
A alternância de focos narrativos em Tia Júlia e o escrevinhador tanto impede o livro de fluir livremente em seu potencial máximo quanto o salva de si mesmo: por um lado a linha semi-biográfica sempre soa maçante após os arroubos devaneados dos capítulos (literalmente) novelescos; por outro lado essa mesma âncora trata a esquizofrenia do autor dentro da obra em doses homeopáticas – enquanto, ao mesmo tempo, devolve ao leitor um fôlego providencial antes de cada próxima viagem. Navegando pela vertente realista (romântica, previsível, plausível, etc) Vargas Llosa cria uma ambientação surpreendentemente leve e agradável – como se talvez a Lima dos anos 50 fosse uma versão peruana do nosso Rio de Janeiro da qual não tivéssemos consciência aqui (ou, no mínimo, que essa fosse a verdade do ponto de vista do aristocrata local, o que é o caso); porém esta vertente por si só não sustentaria o romance – ou ao menos não um bom romance (o que também é o caso). Felizmente quando se trata d...