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Lord Jim

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Joseph Conrad procura, já no prefácio, defender o livro de críticas contemporâneas (ano de 1900, deixe-se claro) sobre a duração "não coisa muito crível" de sua narrativa, mas incorre no pecado do excesso de auto-zelo quando "crê" que esta mesma narrativa possa ser lida em voz alta "em menos de três horas" – afirmação possivelmente ainda mais inverossímil que a própria matéria da acusação que a originou. Não que narrativas arrastadas sejam necessariamente um problema: em poucas ou muitas páginas um O velho e mar ou um Moby Dick atingem o centro nervoso dos leitores ao cabo de seus lentos desenvolvimentos de maneira a continuar ressoando muito depois do fim de suas leituras. O caso é que Lord Jim (o personagem) não é interessante (ou bravo, ou inteligente, ou misterioso, ou exótico, ou o que quer que seja) o suficiente a ponto de que o leitor se importe; e nem mesmo o imenso mistério erigido em torno dos fatos lentamente narrados justifica o esfo...